Obesidade é doença? Entenda o que a medicina já sabe
- Claudia Huzita
- 21 de mar. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 11 de fev.
Durante muito tempo, a obesidade foi vista como uma consequência de escolhas individuais. Muitas pessoas ainda acreditam que ela é apenas resultado de “comer demais” ou “falta de disciplina”.
Mas a medicina evoluiu. E hoje há um consenso claro: A obesidade é uma doença crônica, complexa e multifatorial!
Esse entendimento mudou completamente a forma como o tratamento deve ser abordado, e também a forma como as pessoas com obesidade devem ser vistas.
O que define uma doença
Uma doença é uma condição que altera o funcionamento normal do organismo, com causas biológicas identificáveis e impacto na saúde física e mental. A obesidade atende a todos esses critérios.
Ela envolve alterações em sistemas fundamentais do corpo, incluindo:
Sistema hormonal
Sistema metabólico
Sistema neurológico
Sistema inflamatório
Não se trata apenas de excesso de peso. Trata-se de uma condição médica que afeta o equilíbrio do organismo.
O cérebro tem um papel central na obesidade
O peso corporal é regulado pelo cérebro, principalmente por uma região chamada hipotálamo.
Essa região controla:
Fome
Saciedade
Gasto energético
Ela recebe sinais hormonais que informam ao corpo quando comer e quando parar.
Na obesidade, ocorre uma desregulação desses sinais.
O cérebro passa a estimular a fome com mais intensidade e reduzir os sinais de saciedade.
Isso faz com que o controle alimentar se torne muito mais difícil — independentemente da força de vontade.
O corpo reage à perda de peso como uma ameaça
Quando uma pessoa emagrece, o organismo ativa mecanismos de defesa para recuperar o peso perdido.
Entre eles:
Aumento da fome
Redução da saciedade
Diminuição do metabolismo
Isso acontece porque o corpo interpreta a perda de peso como um risco à sobrevivência.
Esse é um dos principais motivos pelos quais muitas pessoas recuperam o peso após dietas.
Não é falta de esforço. É uma resposta biológica.
Existem fatores genéticos envolvidos
A genética tem um papel importante na regulação do peso corporal.
Algumas pessoas têm maior predisposição a:
Sentir mais fome
Sentir menos saciedade
Armazenar energia com mais facilidade
Isso não significa que o peso seja totalmente determinado pela genética, mas significa que existe uma vulnerabilidade biológica real.
A obesidade também é uma doença hormonal
Diversos hormônios participam da regulação do peso, incluindo:
Leptina
Grelina
Insulina
GLP-1
Na obesidade, esses sistemas podem funcionar de forma diferente, favorecendo o ganho e a manutenção do peso elevado.
Por isso, o tratamento não pode ser baseado apenas em restrição alimentar.
É necessário abordar os mecanismos hormonais envolvidos.
A obesidade é reconhecida oficialmente como doença
Organizações médicas em todo o mundo reconhecem a obesidade como uma doença, incluindo:
Organização Mundial da Saúde (OMS)
Associação Médica Americana
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia
Esse reconhecimento é fundamental porque permite que a obesidade seja tratada com a seriedade e os recursos médicos adequados.
O tratamento vai muito além da dieta
A dieta é apenas uma parte do tratamento.
Dependendo do caso, o tratamento pode incluir:
Estratégias alimentares individualizadas
Intervenções comportamentais
Tratamento hormonal, quando indicado
Uso de medicações específicas para obesidade
Essas medicações atuam diretamente nos mecanismos que regulam fome, saciedade e metabolismo.
O objetivo é tratar a causa biológica, não apenas o sintoma.
Entender isso muda tudo
Quando a obesidade é vista apenas como uma falha pessoal, o resultado é culpa, frustração e tratamentos ineficazes.
Quando ela é entendida como uma doença, o foco passa a ser tratamento adequado, baseado em ciência.
Isso permite uma abordagem mais eficaz, mais humana e mais sustentável.
Você não precisa enfrentar isso sozinho
Se você tem dificuldade para emagrecer, sente que seu corpo resiste à perda de peso ou já tentou diversas abordagens sem sucesso duradouro, é importante saber que existem tratamentos eficazes disponíveis.
O acompanhamento com endocrinologista permite avaliar os fatores envolvidos e definir a melhor estratégia para cada caso.
A obesidade é uma doença. E, como qualquer doença, pode e deve ser tratada.

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