Mounjaro (tirzepatida): como funciona, efeitos colaterais e para quem é indicado
O Mounjaro se tornou um dos medicamentos mais comentados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Mas como ele funciona, quanto peso é possível perder, quais são os efeitos colaterais e, principalmente, para quem ele é indicado? Neste guia, você entende o que a ciência mostra sobre a tirzepatida.
O que é o Mounjaro (tirzepatida)?
Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, uma medicação injetável aplicada uma vez por semana, por via subcutânea, com uma caneta. No Brasil, é aprovada pela Anvisa para o tratamento do diabetes tipo 2 e, desde 2025, também para o tratamento da obesidade e do sobrepeso associado a outras doenças.
Como o Mounjaro funciona?
A tirzepatida imita a ação de dois hormônios produzidos no intestino após as refeições: o GLP-1 e o GIP. Por agir nos dois, é chamada de agonista duplo. Na prática, ela:
Aumenta a saciedade e reduz a fome
Diminui o chamado "ruído alimentar", aquela vontade constante de comer
Deixa o esvaziamento do estômago mais lento
Melhora a produção de insulina e o controle da glicose
Ou seja, ela atua nos mecanismos biológicos que dificultam o emagrecimento, e não apenas na força de vontade.
Quanto peso se perde com Mounjaro?
No principal estudo em pessoas com obesidade sem diabetes (SURMOUNT-1), a perda média de peso foi de cerca de 15% a 21% do peso corporal em 72 semanas, dependendo da dose, associada a mudanças no estilo de vida. Os resultados variam de pessoa para pessoa, e a resposta depende de fatores como adesão, alimentação, atividade física, sono e condições de saúde associadas.
Mounjaro, Ozempic e Wegovy: qual a diferença?
Ozempic e Wegovy têm como princípio ativo a semaglutida, que age apenas no receptor de GLP-1. O Mounjaro age no GLP-1 e no GIP. Nos estudos, a tirzepatida levou, em média, a uma perda de peso maior. Mas isso não significa que seja a melhor opção para todos: a escolha depende do perfil clínico, da tolerância, do custo e dos objetivos de cada paciente. Veja também: qual é o melhor tratamento para obesidade atualmente.
Efeitos colaterais do Mounjaro
Os efeitos mais comuns são gastrointestinais e costumam aparecer no início ou ao aumentar a dose:
Náusea
Diarreia ou intestino preso
Vômitos
Sensação de estômago cheio, azia e arrotos
Redução importante do apetite
Na maioria das vezes, são leves a moderados e melhoram com o tempo. Por isso o tratamento começa com a dose mais baixa (2,5 mg) e é aumentado aos poucos. Efeitos mais raros, como pancreatite e problemas na vesícula, exigem atenção: dor abdominal forte e persistente é motivo para procurar atendimento.
Quem não deve usar Mounjaro?
Pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome NEM 2
Gestantes e mulheres que estão tentando engravidar ou amamentando
Quem já teve pancreatite deve ter avaliação cuidadosa
Um ponto importante: a tirzepatida pode reduzir a eficácia do anticoncepcional oral no início do tratamento e após aumentos de dose. Converse com seu médico sobre isso.
Para quem o Mounjaro é indicado?
Na obesidade, a indicação costuma considerar o IMC a partir de 30, ou a partir de 27 quando há doenças associadas, como pré-diabetes, hipertensão, apneia do sono ou gordura no fígado. Mas o IMC não é o único critério: o endocrinologista avalia a história clínica, a composição corporal, exames e possíveis contraindicações.
E quando parar o Mounjaro?
A obesidade é uma doença crônica. Quando o remédio é suspenso sem uma estratégia, o reganho de peso é frequente. Entenda melhor em vou engordar tudo depois de parar o remédio para emagrecer?
Perguntas frequentes
Mounjaro precisa de receita?
Sim. É um medicamento de venda sob prescrição, e a receita fica retida na farmácia.
Posso usar Mounjaro sem acompanhamento médico?
Não é recomendado. O acompanhamento permite ajustar a dose, controlar efeitos colaterais, preservar a massa muscular e avaliar se o tratamento está funcionando.
Mounjaro faz perder massa muscular?
Não diretamente, por isso, o acompanhamento com endocrinologista é essencial. Proteína adequada e treino de força ajudam a preservá-la.
Agende sua consulta com a Dra. Claudia Huzita
Cada organismo é único, e o melhor tratamento é aquele pensado para a sua história, seus exames e seus objetivos.
A Dra. Claudia Huzita é endocrinologista formada pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (CRM-SP 219458 | RQE 136524). Atende de forma particular na Vila Olímpia e nos Jardins, em São Paulo, e também por telemedicina, com consultas de 60 minutos.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individual.




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